Vovó Rosaria e Cia.

Sou a vovó mais querida do mundo! Eu e minha turma temos sempre a palavra certa. A experiência de vida me deu a oportunidade de cada dia mais saber o que dizer e o que fazer. Luto pela paz, pelo respeito, pela dignidade e igualdade. Sonho com um mundo melhor, com honestidade, educação e moral. Sou contra o preconceito e não faço juízo antecipado das pessoas. Mas faço tudo isso sem perder o bom humor. Então sempre adoro brincar e provocar meus netinhos e netinhas, lindooos!

01 abril 2007

Procurando um Ogro...
By Marcinha(Demi)

Marquei um encontro com um cara pálida que "brotou" (vamos dispensar detalhes...) na minha vida, errr..., virtual e eu resolvi dar uma chance na real. Vai saber se não se tornaria mais uma daquelas histórias que ouvimos sobre almas gêmeas cibernéticas. Tinha a minha idade, 43 anos. Isso pra mim é um milagre, porque a minha vida ou é "Xou da Xuxa" ou o "Programa da Hebe", se me entendem...Acho que eu deveria ser dona de creche ou asilo e estou desperdiçando uma vocação.
Então, marquei com o sujeito, um café numa noite de domingo. Qualquer coisa seria melhor que ver o Fantástico, o show da vida!Aí que sentamos eu e ele no tal do café. Eu com zero fome e meio de má vontade, tratei de pedir logo um cappu. O cara pálida resolveu pedir um sanduba com uma vitamina e comer na minha frente. Tem coisa pior que comer no primeiro encontro? Se fosse querer ME comer eu podia até relevar, afinal, é homem, né? Mas não. É comercomida. E tomar uma vitamina de frutas com leite...Argh! isso só se encara lá pelo quarto ou quinto encontro. No mínimo!Enquanto ele batia o sandubão e eu me entupia com o cappu, o sujeito começou a "puxar papo". Mas vocês pensam, pícaros sonhadores, que o rapaz falou de amenidades? Do trabalho, do trânsito que ele pegou pra chegar lá, de uma coisa qualquer que ele viu na TV? Nãaao, tolos! O lagartão queria falar de política, religião... eu me senti batendo papo com algum professor de cursinho pré-vestibular.
Em dado momento da animada conversa, o sujeito pergunta:
- Se você escreve, deve gostar de História (isso mesmo com H...), né?
Que divertido.
- Gosto sim.
- Que época da História você prefere?
Cacetes renascentistas! Qualquer época que não seja aqui, sentada, conversando com você! Falei o que me veio à cabeça:
- Idade Média.
Peste negra, sabe? Quando todos morriam em extrema agonia.
E ele:
- A Alta ou a Baixa?
Tá de sacanagem, né?! Corto meus pulsos já, agora ou imediatamente?
Mas não é só ísso! Vocês pensam que terminou? Lá pelas tantas o cara vira e fala:
- Ah... o seu cabelo é tão bonito... tem uma cor linda...
Nossa, ele está me fazendo um elogio! É uma declaração meio gay, mas ainda assim um elogio, e agora eu quase gosto del...
- ... só que você está usando o SHAMPOO ERRADO.
Anh? Tá doida, bicha invejosa? Só porque você fez a sua escova progressiva? O meu pelo menos não é chapinha!
Ante ao meu olhar perplexo, ele (tentou) explicou:- Está muito ressecado nas pontas...
E é por isso, amiguinhos, que eu decidi: QUERO UM OGRO! Porque aí quando eu falar "o que você acha do meu cabelo?" ele vai responder "UGA!". E quando eu falar de História, ele dirá: "BUGA!". E quando ele ouvir as palavras "ressecado" e "shampoo" na mesma frase vai arregalar muito os olhos ograis e exclamar, indignado: "UGA ... BUGA???".
E assim eu serei muito mais feliz.
Só o que lamento de toda essa história é que tudo terminou e eu acabei não perguntando qual era o shampoo certo. Afinal, ao menos eu podia ter tido uma recomendação de beleza. Se bem que não. De repente a bicha é sem luz e ia me sugerir um shampoo que ia fazer meu cabelo cair... Todinho !!!

07 março 2007

Sentimento sem tradução...

"I miss the tingles" (Monk para Al em "Louco por você”)

Sabe aquela música ou frase que fica circulando na cabeça durante algum tempo? Filme, show, novela, seriado, não importa a fonte, fica a impressão de que a frase resume sua vida naquele período. A minha, nesses últimos tempos, tem sido "I miss the tingles". Tingle(s) é daquelas palavras em inglês que não têm tradução exata para nossa língua. Refere-se aos sentimentos que a pessoa tem quando está apaixonada: formigamento, coração descompassado, arrepio, tudo junto. Semana passada revi "Louco por você" (Down to you), um filme que gosto muito, e essa frase foi dita uma única vez, pouco antes do final. Em resumo, um dos personagens passa o filme tentando convencer um amigo sobre a necessidade da racionalização no amor, de que tudo nele é ilusório, que nos traz mais malefícios que coisas boas, já que sempre acaba. Num dos trechos finais, entretanto, ao ver o amigo arrasado porque havia terminado o romance com a namorada, capitula e solta a frase: "I miss the tingles" (algo como "Sinto falta do formigamento, do arrepio") Como determinadas épocas do ano nos fazem pronunciar essa frase de boca cheia... O outono e inverno, por exemplo. Dias frios e chuvosos, um cálice de vinho na mão, chega a noite e ficamos assistindo algum filme na TV e uma vontade louca de ter alguém do lado pra dar sentido àquele painel. Por mais que propaguemos as vantagens de estarmos "disponíveis", solteiros (e realmente há inúmeras), chega um dia (como p. ex. um dia chuvoso de outono) e vem tudo abaixo. Capitulamos. Parece que tudo se dilui na constatação de que há poucos momentos mais gostosos, na vida de uma pessoa, que poder refugiar-se num abraço bem apertado e espontâneo, esquentar as mãos entrelaçando-as nas da outra pessoa, enroscar os pés, o corpo, a alma, os destinos. A falta de paixão acaba virando úlcera nos sentimentos. De repente nos percebemos mais agressivos nos diálogos com os amigos, no trabalho, na solidão. Por mais apego ao amor-próprio que tenhamos, a ausência de um amor prejudica o equilíbrio. Não pelo fato da "injustiça" (e todos não pensam assim?) de estarmos sozinhos, mas por não podermos ter alguém a quem expressar o amor que carregamos dentro de nós. Aquele amor que não pede retribuição, quer apenas sair da caixa, extravasar; mostrar ao mundo que ele, apenas, existe. Não importa se o objeto da paixão não a merece ou não corresponde da maneira que gostaríamos. Basta ter alguém pra gostar, alguém que nos faça ter o pacote completo dos sentimentos deliciosamente previsíveis e repetitivos, e nem por isso sempre diferentes. Não que estejamos de mal com o mundo na solidão, o problema é a questão do motivo. Não tem graça escalar os próprios sonhos se não encontrarmos alguém pra compartilhar a alegria da conquista dos objetivos profissionais e pessoais. O amor, em si, é esse objetivo. Outro aspecto ruim de se passar muito tempo sozinho é a questão da referência. Nós vamos perdendo a bússola pra pessoas especiais, o norte geográfico, e pode acabar acontecendo da bússola transformar-se em roleta, onde apostamos na quantidade esperando encontrar qualidade. Que, infelizmente, dificilmente aparece dessa maneira. Lei de Murphy: pessoas interessantes não aparecem quando precisamos delas. Ou pior ainda, até aparecem mas não as vemos...
O lado bom é o da mudança, a única certeza. Mais tarde o frio despede-se, a garoa cessa, volta o sol implacável e com ele a esperança. Um pouco depois, de súbito (porque sempre vem inesperado), num dia rotineiro qualquer, o coração começa a bater diferente, o sorriso não consegue fugir do semblante. O palpite, a primeira impressão. Sim, há sempre o dia em que o time volta a vencer, você passa a gostar de músicas diferentes, um novo filme te encanta. Noites de meio de semana como a de hoje, entretanto, são covardes, apunhalam o coração de quem está sozinho. Ahhh, I miss the tingles....

21 fevereiro 2007

Manual Prático para Mulheres Solteiras Modernas (ou a beira de um ataque de nervos!)
By Demi

Ah... a vida de solteira! É uma liberdade incrível que muitos invejam, mas honestamente, nada melhor que um relacionamento fixo, sabe? Ter alguém com quem comemorar, chorar, contar segredos, fazer planos...Principalmente se você nunca teve ou faz tempo que não tem isso...Errr...Mas não estou aqui pra falar dos benefícios e prazeres da vida em comum. Esta loucura chamada “vida a dois” posso abordar em outra época mais propícia, perto do dias dos Namorados, p. exemplo...
Este manual que escrevi, é uma tentativa de classificar os Homos-Sapiens que orbitam na vida de nós mulheres modernas, e o que podemos (ou nos resta...) fazer com eles! Normalmente, nenhum dos tipos abaixo, se tornarão “NAMORADOS” e os motivos são bem óbvios, só uma mulher moderna (leia-se culta, inteligente, bonita ,interessante e independente...) para não percebê-los.
1) O “Carangueijo” Indeciso:

Diagnóstico: Claramente o homem que não sabe o que quer. Provavelmente tem um grande amor a esquecer, e elege você como a válvula de escape. Enquanto não conquista sua paixão verdadeira, tenta se aproximar e criar intimidade, mas não o suficiente para virar namoro.

Plano de ação: Saia de perto dele. Fique longe. Ele vai te procurar algumas vezes, mas acabará desistindo - o que é melhor para você, believe me!

2) O “Pay Day” Sazonal:

Diagnóstico: Homem carente, mas que gosta de ser sozinho. Ele aparece de tempos em tempos, e desaparece da mesma forma. Tem várias vertentes: os mensais (que aparecem no dia do pagamento) os bimestrais (que mantém duas mensais) e os randômicos (que não têm padrão algum, mas aparecem).

Plano de ação: Aproveite o máximo da carência dele para provar que você é legal. Mas se passadas 3 sazonalidades e nada mudar, parta para outra, amiga!

3) O “Pão Nosso” de Quarta-feira:

Diagnóstico: Ele te acha super legal, mas você é apenas um passatempo. Logo, você vira a mulher de quarta-feira. Isso porque as sextas e fins de semana ele guarda para outra mulher, que ele quer conquistar, mas ela não está dando muito mole, e que muito provavelmente não deve ser nem tão “bacana” quanto você... Então ele passa um tempo com você, a super mulher legal!

Plano de ação: faça dele um "homem de quarta-feira". E só. hahaha. E trate de arrumar um de quinta, um de terça, etc... e se tiver sorte poderá arrumar um super cara legal para ser o de sexta, sábado e domingo!!!hehehe

4) O “Só o Cume Interessa” Cafajeste:

Diagnóstico: ele só está interessado no seu belo corpinho. Isso pode ser uma grande ferramenta de auto-estima para você. Ele é legal, te elogia, paga a conta, te chama para sair de sexta-feira, mas está pessimamente intencionado. Tudo o que ele quer é te comer. Sem meias palavras. E vai tentar de uma maneira sutil, sem forçar nada, para continuar parecendo o cara mais legal.

Plano de ação: aproveite ao máximo. Antes da hora "h", dê um beijo na bochecha dele e vá embora. É um excelente homem para ser um sazonal, afinal ele deixa sua auto-estima nas nuvens! Mas não ceda... Senão ele se aproveita, faz o que quer e some de vez.

5) O “Arroz” Tio João (ou Maria!):

Diagnóstico: Ele está interessando em você, mas não toma atitudes. Não chama para sair, mas fica mandando e-mails e mensagens pelo celular. Você fica esperando, esperando, dando indireta e nada...

Plano de ação: caia matando, minha filha! Mas se perceber que ao invés de arroz, ele está mais para indeciso, vá de retro!

6) O “Fogos de artifício” Caramuru:

Diagnóstico: Esse cara é um show pirotécnico! Ele é uma explosão de cores que toma conta do seu céu! Explode estrelinhas coloridas e te esquenta como ninguém... Porém, ele dura apenas alguns segundos... O risco embutido aqui, minha querida é... algum homem já coloriu o seu céu e você não se apaixonou??? É altamente arriscado, pois a intensidade de sua aparição é proporcional à efemeridade. Logo, você ficar apaixonada por fumaça é uma grande possibilidade.

Plano de Ação: Se você é da turma cuja fila não anda, faz um Cooper e tudo bem!!! Mas se você tem um lado heroína romântica que cultiva o amor por falecido, aviso: melhor não arriscar!

7) O “Diretamente do Mundo Encantado” Imaginário:

Diagnóstico: Ele é lindo, perfeito, aparece toda à noite nos seus sonhos, onde ele te acorda com um beijo, café na cama todas as manhãs, a casa impecável porque ele acordou mais cedo pra arrumar e depois do café, uma voltinha no seu cavalo alado sempre cai bem... Ele te elogia o tempo todo e faz com você se sinta única na vida dele!!! Admira profunda e sinceramente sua inteligência e tem orgulho da independência financeira que você tem...

Plano de Ação: Sinceramente? ACORDE!!! Amiga, você pode acabar num manicômio se continuar insistindo que esse homem existe!
Continuo com a mesma frase clássica: Príncipe encantado não existe! Prefira os sapos, pois não temos escolha!

8) O Lulu “Como uma Onda” Santos:

Diagnóstico: Ele vai e volta. Vem e vai. Como uma onda no mar, está sempre a lamber a sua costa (no bom sentido ou não), enchendo sua maré para depois se retrair, deixando você e sua cara de nádegas esperando a próxima maré alta. Pode ser um ex-namorado, um ficante esporádico ou um postulante a ficante.

Plano de Ação: Você é quem sabe, minha filha!! Pense... que esse homem é como assistir “Curtindo a Vida Adoidado” na Sessão da Tarde, não lhe acrescentará nada, mas você tem certeza que o filme será divertido...

9) O “Erótico-selvagem” Dança com Lobos:

Diagnóstico: Parece o tipo Caramuru, no início, e você pensa “uau, que homem viril!”, mas de repente você se vê estrelando um funk e descobrindo o que significa "muita pressão”. O cara-pálida nem perde tempo, como o “Cafajeste”, te chamando pra sair, já vai logo nos finalmente mesmo, afinal ele não esta à lazer...Usa frases de efeito psicológico, na tentativa de te deixar com te...errr... vontade! Mostra ostensivamente seu repertório “Pay-Per-View” e tem uma tendência ao exibicionismo! Cuidado pra não cair na gargalhada com as frases de efeito que ele usar (e ele vai usar, não duvide!).

Plano de Ação: Se você tem paciência para agüentar um cara que treme só de ouvir você dizer oi, vá em frente! Pode ser bom para o seu ego de "mulé-gostos@" e, quem sabe, seu Mogli, o Menino Lobo, possa ser domesticado?

10) O ‘Mino-Wando”:

Diagnóstico: Para classificar esse homem, fui buscar auxílio na mitologia grega! O cara-pálida em questão, é metade Homem e metade Wando...Isso ai, colega!
E você??...Oras, Você é luz, raio, estrela e luar!!! O esse homem sabe disso e, numa noite de amor, eis que surge a proposta: me dê sua calcinha?
Hããããã??????????? É, você ouviu bem: ele pediu sua calcinha. O que fazer então? Dar a calcinha? Dar um tapa? Dar de novo? Dar nunca mais????
Depois desse pedido, você imagina o cara de roupão de matelassê bordô, tomando conhaque, sentado numa poltrona, com um charuto admirando sua parede com dezenas de calcinhas emolduradas, com suas espécies registradas.
Plano de Ação: Querida...se você não quer acabar como um “meu ia-iá, meu iô-iô”, pegue sua calcinha e saia correndo, de onde estiver, e não olhe pra trás!!!
O que pode se esperar de um tipo desse, hein??rs

08 fevereiro 2007

A Razão dos 10%
posted by Demetria

O quanto uma pessoa conhece de si mesma? Todos os dias lemos pesquisas relatando o pouco desenvolvimento que fazemos de nosso cérebro, dos limites do corpo que estamos ainda longe de conhecer. Que dizer, então dos sentimentos? Quantas vezes nos surpreendemos com atitudes que tomamos opostas ao nosso modo peculiar de pensar e agir? Já pararam pra analisar quão pouco conhecemos das pessoas com quem nos relacionamos? Estamos solitários e carentes, despercebidos do mundo mas com uma vontade louca de retornar ao círculo vicioso das ilusões amorosas e, num dia anunciado, a vontade toma formas reais no corpo de outra pessoa. Correspondido ou não, platônico ou expresso, em algum momento capturamos uma fotografia do instante de vida daquela pessoa e o penduramos na estante dos sonhos de consumo, rasgando o cartaz de ¿procura-se¿ que andava pendurado na alma. Tudo estaria resolvido se nos contentássemos com aquela fotografia, aquele instante, aquela ponta do iceberg que descobrimos (muitas vezes nem isso) da pessoa amada. Percebemos, numa visão otimista, talvez cerca de 10% de tudo que ela representa, e queremos ir adiante, descortinar o resto. Pior que isso, não são 10% aleatórios, mas aquela parte que interessa às nossas expectativas, a que corresponde à nossa carência. Criamos a ilusão de que os outros noventa por cento terão a mesma magia, um encantamento parecido, e, é claro, os alicerces acabam corroídos conforme progredimos. Há pessoas manipuladoras, entretanto, e essas devemos temer. Aquelas que nos mostram uma parte aparentemente desinteressante, manipulam o que querem passar de si mesmas ao mundo de fora. Guardam a melhor parte pra desnudar a poucos escolhidos, aos privilegiados que passarem pelas difíceis etapas que conduzem ao prêmio da confiança irrestrita. Nem sempre funciona. Da mesma forma que há pessoas ardilosas em manipular a própria imagem, há aquelas especializadas em descobrir tesouros ocultos. Arqueólogos dos sentimentos, têm o dom de perceber detalhes da alma alheia soterrados em areias movediças de dissimulação. Muito raramente pensam ter encontrado um tesouro incalculável sob alguma forma humana, e põem-se a escavar à procura do restante, sonhando com a aposentadoria que essa descoberta pode representar. Todos, arqueólogos ou ardilosos, sinceros ou dissimulados, nenhum grupo escapa ao problema dos 10%. Querer adentrar no universo que existe além dos dez por cento da pessoa amada implica largar a segurança e o cobertor que nossas expectativas criaram e ficar à revelia num novo mundo frio, inóspito e que, muitas vezes, acaba por sufocar aquilo que procurávamos adentrar. Mórbida sensação. Porque nunca nos satisfazemos com o que temos às mãos, ao que nos foi permitido enxergar, ao que nos fascinou? A ambição desenfreada quer ir além, quer o controle, a sensação de entorpecimento total que (imagina !?!) levará à certeza de ter encontrado a pessoa certa. Poderíamos ficar com o seguro, com os 10% originais, e crescer ao redor deles. Barganhar. Revelar 7% de nós mesmos em troca de mais 2% da outra pessoa, que sempre nos desvalorizamos nesses assuntos. O que acontece depois, o final da história, os clichês descambam no mesmo ponto: em algum momento descobrimos uma parte que nos assusta ou desagrada e quebra-se a magia, o nó se desfaz e já não mais queremos nem os 10% originais. Outras vezes não. Em poucas, raras e intempestivas tentativas, o coração persiste. Lá pelos 17% encontramos um ponto de apoio que anula a decepção mais adiante, nos 21%. Perto dos 35% uma surpresa que mantém o interesse até a metade, até os 50%, que não acredito ser possível alguém conhecer mais que a metade de outra pessoa. Se passamos a vida tentando descobrir metade de nós mesmos, que dirá revelarmos a alguém o que desconhecemos? Impossível !!!Como seria fácil se o Amor fosse como o produto de prateleira do supermercado que pegamos, lemos a descrição, prazo de validade e preço, então decidimos ou não em adquirir ou passar a outro produto. “Quero esse aqui porque não custa tanto e dura mais que aquele. Aquele é mais bonito, mas vence semana que vem, não vale a pena”. Não é assim...
Compramos às cegas, só pela embalagem, sem provar do conteúdo. O dilema reside em concluir que não existe solução. Ficarmos passivos contemplando aquilo que nos foi permitido desvendar ou ir além dos dez por cento, não faz diferença. Os olhos amendoados e as sardas do colo que encantaram à primeira vista irão permanecer, ao invés de uma porcentagem... A saudade de um amor perdido, a lembrança daquela face, dos cabelos molhados na chuva, tudo isso permanece. Podemos desvendar todos os segredos que antevíamos da outra pessoa, ter a nítida convicção de que a conhecemos e tirarmos proveito da situação. Sim, podemos. Mas do que lembraremos naquela noite fria de alguns anos à frente? O que fica, sempre, são os 10% iniciais, as primeiras impressões. Não a parte que nos foi oferecida, ou a outra que teimamos em desvendar. Fica aquela que adivinhamos, aquela parte da outra pessoa que, mesmo que ela nunca saiba, sempre nos pertenceu.

04 janeiro 2007

O Amor não tira férias
By Demetria

Ontem, vi o filme “O amor não tira Férias”, uma comédia romântica muito interessante, que vale a pena ser assistida. Uma das protagonistas, uma jornalista inglesa, vive uma relação romântica com um colega por 3 anos, mas na condição de “suplente”. Ela é completamente apaixonada pelo colega lagartão, que a procura somente nas horas que precisa de refúgio e afago. O dito cujo esta de casamento marcado com uma outra colega de jornal, e a “amiga” sofre amargamente com isso.
O seu drama me chamou atenção pela freqüência que vejo pessoas com esse mesmo “roteiro”. Num momento do filme, ocorre um diálogo entre ela e um roteirista americano de Hollywood de 90 anos, onde ele sabiamente resume para ela a sua sub-condição – “Todo roteirista de filme tem uma atriz principal e uma coadjuvante que vai dar substancia à trama principal, você é uma mulher especial que deveria ser a atriz principal, mas se contenta em ter o papel de coadjuvante. Procure alguém que a veja como atriz principal”- ... Foi ai que me veio inspiração para escrever sobre pessoas coadjuvantes.
Analisando os relacionamentos ao longo da vida, poucos de nós não encontram um momento onde, mesmo sem saber, tornaram-se coadjuvantes à vida de alguém. Coadjuvantes são aqueles que estão sempre em segundo plano na vida de outras pessoas, os principais. Constantemente trocados por outro amor, pelo trabalho, por um hobby qualquer, aceitam a condição de coadjuvantes e formam um atípico clã de relacionamentos mornos. Há vários exemplos ao redor: a amiga que mantém há anos um caso com uma pessoa casada, a vizinha que descarrega na internet a frustração pela desatenção do companheiro, o olhar fatigado daquele parente preso a um relacionamento agonizante porque não consegue vislumbrar alternativas, onde o medo da solidão é maior que a necessidade de mudança. O dilema surge da inevitável pergunta: a aparente falta de pressão compensa a perspectiva de vida das pessoas coadjuvantes? Os coadjuvantes apóiam-se na teoria das poucas expectativas: desejar menos evita a decepção futura. Afinal, ninguém perde o que nunca teve em mãos. Estóicos, diminuem as expectativas a fim de sofrer menos, restringindo a lista de ambições ao que lhes parece seguro. Acomodam-se num papel secundário em relação às pessoas que lhes cercam e têm, até certo ponto, uma sensação de felicidade que convém. Esquecem que relacionamentos amorosos precisam de testemunhas, não de pessoas substitutas, a real definição das coadjuvantes...E há um grande abismo entre essas duas definições. As testemunhas acalentam o sentimento de retribuição, a ternura de acompanhar a outra pessoa ao longo do relacionamento, como um confessionário onde ambos depositam suas esperanças, frustrações, vulnerabilidades, a vida em comum. A companhia que revigora e aconselha muitas vezes sem palavras, com gestos anuentes ou a cumplicidade do silêncio. Testemunhas que, em meio à série de problemas que todo relacionamento carrega, mantém intacta a admiração pela pessoa que o outro representa aos olhos dela. Precisamos ser admirados por algum aspecto de nossa personalidade - mesmo aqueles que consideramos defeituosos -, e aí reside o grande problema das pessoas substitutas. A rua é de mão única. O pouco amor-próprio que carregam dilacera a imagem da alma refletida no espelho da outra pessoa. Enquanto os substitutos admiram, recebem em troca comodismo e apatia, muitas vezes acompanhados de aspectos ainda mais negativos. E pior, sabem que a qualquer momento a ilusão de segurança pode se transfigurar na solidão que tanto evitaram. Tornam-se descartáveis. A armadilha fatal vem na constatação de que, ao substituírem pra outras pessoas suas famílias, amizades ou carências diversas, têm também substituída a própria vida que sonharam como protagonistas, aquela das esperanças sinceras e ingênuas. Que me desculpem aqueles que se sentem seguros nessa condição, mas ninguém nasceu pra ser substituto na vida de outra pessoa. Há tanta diversidade ao redor que assusta a idéia de vivermos atrelados a alguém que não reverbera nossos anseios. A palavrinha "mudança" adormece nos lábios dos coadjuvantes. Não há varinha mágica que descortine as opções à frente mostrando onde levará cada caminho, é verdade. Sair da condição de coadjuvantes pode levar a lugares perigosos, a abismos colossais ou paisagens magníficas, mas sempre imprevisíveis. Só que os coadjuvantes nem tentam. Eles não apenas deixam de sonhar com novos roteiros; sepultam os próprios caminhos, mantendo os pés na mesma rodovia reta e sem-graça de sempre. Se o segredo da felicidade está mais na convivência que na conquista, fórmula alguma resiste a uma coadjuvante. Na busca pelo sorriso interno do coração, os pecados da omissão são os que mais agridem. Falhamos porque perdemos oportunidades e o destino nos rouba outras tantas, mas que os sonhos - ao menos eles -, sobrevivam.
Mais que sonhar, devemos então buscar assumir o papel principal em nossa própria vida, e como bônus, muito provavelmente, cruzará nosso caminho alguém que nos verá ( e amará...) tão somente dessa forma, como atriz(ator) principal!

27 dezembro 2006

Comédia sobre a vida "privada"...

by Demetria

Estava pensando em escrever um texto daqueles de fim de ano...Um texto com uma mensagem de esperança e paz. Mas esses textos, nesta época, são os que mais circulam por ai, e na verdade o que precisamos também, além de paz e esperança, é RIR!!!
Rir é o melhor remédio, disso todos sabemos há muito tempo. Porém, fazer rir é algo difícil, certo? É preciso pensar nas histórias mais engraçadas e complexas, juntar com uma atuação convincente, cheia de trejeitos e fantasias e escolher o melhor local para impressionar o público. Assim não dá! Qualquer um desiste logo e chega à conclusão que não tem veia cômica! Não, não é por aí.Quando na verdade, para fazer rir, basta ter um par de olhos perfeitos, alguns neurônios funcionando e ficar observando as pessoas na sua vida íntima. Foi ai que caiu minha ficha e resolvi falar de um tema bem cotidiano e velho conhecido de todos nós: o cocô. Esse mesmo, com acento no final. Não usarei imagens apelativas, pode ler sem constrangimento e tenho certeza que você vai rir, com as situações que vou descrever...

1 - Das verdades sobre o cocô

Parágrafo único: todo mundo faz cocô.

Faz sim, claro que faz. Você faz, a mocinha sentada do seu lado faz, o galã da novela faz, sua mãe faz e até o Papa faz. Só que alguns não gostam de admitir isso, especialmente as mulheres. Elas dizem que não fazem, mas é mentira. O cocô feminino existe e, em teoria, é rápido, sem cheiro e não faz barulho. Uma mulher sai da sala, entra no banheiro, volta e ninguém sabe precisar o que ela fez lá dentro. Depois da maternidade e da felicidade amorosa, esse é o principal objetivo perseguido pelas mulheres. Essa é uma mulher plena, realizada e feliz!Aliás, os homens agora terão a oportunidade de compreender alguns mistérios insolúveis até hoje. Por exemplo: lembra quando você viajou com a sua namorada pela primeira vez? O clima romântico, tudo perfeito... Até que em um dado momento, no quarto vendo TV, é possível ver um dia lindo lá fora. Então chega o convite: "amor, vamos dar uma volta?". Nisso ela se vira na cama, espreguiça, boceja e diz que está indisposta. Cara, acredite em mim, não adianta insistir. E nem pense em ser romântico e se oferecer para ficar com ela. Você será expulso do quarto de qualquer jeito. Por quê? Simples, ela quer privacidade para fazer cocô sem que você saiba disso. Uma amiga minha ficou três dias entalada por conta do excesso de romantismo do namorado...
Outro caso: uma turma vai passar uns dias na praia, juntos. Turma mista, sabe? Os rapazes acordam pela manhã, dão um salto mortal, caem dentro das sungas, deslizam até a cozinha pegam pão e leite e comem em pé mesmo. As mulheres... bem... acordam... andam pela casa de pijama e descabeladas... preparam lentamente o café... falam que precisam passar hidratante na pele e lavar o cabelo antes de entrar no mar, com ar de quem demorará horas ainda. Os homens desistem de esperar sem entender o motivo de passar hidratante antes de entrar na água salgada. Acho que deu para pegar a explicação, não? Alguma delas deve precisar fazer cocô. E com homens na casa isso é impossível. Mulheres têm fama de desunidas, mas quando se trata do cocô matinal são discretíssimas. Uma protege o da outra, mesmo que ela mesma não vá fazer. E em 20 minutos alcançam os rapazes na areia. Pode ter certeza de que quando perguntarem o que aconteceu nenhuma menina vai dizer: "nada de hidratante não, era só a Marcinha querendo fazer cocô."
Os homens já estão mais seguros nesse assunto. Não têm problemas, usam banheiro em qualquer lugar e alguns até gostam de anunciar o fato. Um amigo meu, por exemplo, pega uma revista, dá um olhar irônico a todos e solta um "hehehe". Pronto... todos longe do banheiro por horas, se quiserem viver... Falei das diferenças, mas vamos ao que é comum a ambos os sexos.

2- Das especificidades gerais sobre o cocô

Parágrafo único: todo mundo olha o próprio cocô.

Olha sim, você também, não adianta negar! Você concorda que não é necessário? Que poderia terminar, dar a descarga já olhando para a pia, onde lavará as mãos? (você lava, né?). Mas não, sem a olhadinha ninguém passa. Alguns, mais tímidos, olham meio de lado. Outros, mais espontâneos, analisam cor, forma, tamanho e conjunto da obra. "Que cor é essa? Ah, beterraba do almoço." Outros já observam o próprio produto como resultado de comercial de ração canina. Firmes e sequinhas em sinal de saúde.
Ah, você não deu o braço a torcer não é mesmo? Acha que não olha?! Então melhor não rir daqui para frente, ou vai se entregar. Sim, porque nem tudo é perfeito. Às vezes você faz, limpa e na hora de conferir, eis que para o seu completo terror o vaso está vazio!!! Cadê, meu Deus? Sua sanidade entra em cheque... "Eu sei que fiz, onde está?" Alguns até abaixam um pouco, para ver se lá no fundo enxergam uma pontinha... de esperança, mas nada. Sumiu mesmo, não tem explicação. É isso, frustrante, né?(eu vi seu risinho, isso já aconteceu com você, né?)
Mas tem coisa pior. Você faz, limpa confere e... Ah, está lá sim! Dá uma olhadinha e aperta a descarga. A água sobe, a água gira, a água desce e adivinha quem não foi embora? Isso mesmo, o seu cocô. Seu e de mais ninguém. Quer dizer, era para ser assim, mas o danado insiste em ficar famoso e aparecer para o mundo. Mais uma tentativa, nada... Ele continua ali, desafiando você. Batidas na porta! Desespero! Alguém está esperando você sair para usar o banheiro!!! "E agora"? Como se fosse uma questão de pura determinação, você respira fundo e aperta o botão com mais força. Inútil, ele ainda flutua na sua frente.
Nessas horas, desculpem a sequência de trocadilhos infames, mas... Você se sente tão mal, que nem aquela cagada que você fez no trabalho te preocupa tanto. Nem o fato do seu chefe estar para descobrir o tamanho da merda que você fez te deixa mais envergonhado. E sabe porquê? Simples, você será julgado pelo seu cocô - e sabe disso. Vão te chamar de mal educado, criticar sua alimentação, seu estado de saúde e até sexualidade pode ser posta em cheque.

Irônico...O homem chegou à lua, estuda fósseis, criou uma economia complexa, mas não sabe lidar com uma questão tão íntima, que sai de dentro mesmo. Que merda, não?

18 dezembro 2006

Ameno, Dom (Liberta-me Senhor)

Dori me
Interi mo, Adapare
Dori me
Ameno, Ameno
Lantire, Lantire mo
Dori me

Ameno, Omenare, imperavi
Ameno, Dimere, dimere
Mantiro, Mantire mo
Ameno

Omenare, imperavi emulari
Ameno
Omenare, imperavi emulari

Ameno, Ameno dore
Ameno dori me
Ameno dori me

Ameno, Dom
Dori me, Reo
Ameno dori me
Ameno dori me

Dori me, Dom

14 dezembro 2006

Feliz Natal

(texto creditado a Hugo Hamann)

Pela volta triunfal do "caçador de marajás"
Pelo Duda Mendonça e os paraísos fiscais
Pelo Galvão Bueno que ninguém agüenta mais
Senhor, tende piedade de nós

Pela eterna farra dos nossos banqueiros
Pela quebra do sigilo do pobre caseiro
Pelo Jader Barbalho que virou "conselheiro"
Senhor, tende piedade de nós

Pela máfia dos "vampiros" e "sanguessugas"
Pelas malas de dinheiro do Suassuna
Pelo Lula na praia com sua sunga
Senhor, tende piedade de nós

Pelos "meninos aloprados" envolvidos na lambança
Pelo plenário do Congresso que virou pista de dança
Pelo compadre Okamotto que empresta sem cobrança
Senhor, tende piedade de nós

Pela família Maluf e suas contas secretas
Pelo dólar na cueca e pela máfia da Loteca
Pela mãe do presidente que nasceu analfabeta
Senhor, tende piedade de nós

Pela eterna desculpa da "herança maldita"
Pelo "chefe" abusar da birita
Pelo novo penteado da companheira Benedita
Senhor, tende piedade de nós

Pela refinaria brasileira que hoje é boliviana
Pelo "compañero" Evo Morales que nos deu uma banana
Pela mulher do presidente que virou italiana
Senhor, tende piedade de nós

Pelo MST e pela volta da Sudene
Pelo filho do prefeito e pelo neto do ACM
Pelo político brasileiro que coloca a mão na "m"
Senhor, tende piedade de nós

Pelo Ali Babá e sua quadrilha
Pelo Gushiken e sua cartilha
Pelo Zé Sarney e sua filha
Senhor, tende piedade de nós

Pelas balas perdidas na Linha Amarela
Pela conta bancária do bispo Crivella
Pela cafetina de Brasília e sua clientela
Senhor, tende piedade de nós

Pelo crescimento do PIB igual do Haití
Pelo Doutor Enéas e pela senhorita Suely
Pela décima plástica da Marta Suplicy
Senhor, tende piedade de nós

Por fim
Para que possamos festejar juntos os próximos natais
Senhor, dái-nos a paz

13 dezembro 2006

The day after

by Demi
A pergunta "e agora, pra onde vou?" depois do fim de um relacionamento que nos marcou fica, muitas vezes, latejando na cabeça por mais tempo que pretendíamos. Perdidos, parece que nos foi tirado o chão, mais que isso, os alicerces sob os quais construímos sonhos, fizemos projetos de vida e vislumbramos um futuro promissor ao lado da pessoa que partiu. Apesar que nos casos de relacionamentos longos e marcantes, pouco importa quem partiu, se foi você ou a outra pessoa, a sensação de vazio é a mesma. O "day after" se transforma na "week after", e vamos nos afundando à procura da tábua de salvação. Opção, essa é a questão de ordem. Novamente, as escolhas: quais as opções que temos nesse instante? Podemos escolher ficar indefinidamente lamentando o fim da relação, numa depressão crescente; podemos sair em desespero à caça de um outro amor ou podemos, apenas, aprender a gostar de passar um pouco de tempo em nossa própria companhia. Ficar alguns dias escutando "Everybody hurts", "Depois de ter você" ou alguma balada sertaneja até riscar o CD pode não ser de todo ruim, desde que o reservatório de lágrimas mande logo ao cérebro o grito de "basta". Pular direto a um outro relacionamento (o eterno medo da solidão) acaba se tornando a opção mais cruel, porque a nossa mágoa pode duplicar quando a pessoa com quem estivermos nos relacionando perceber que está sendo usada pra que esqueçamos um antigo amor. E, acredite, elas sempre percebem quando isso acontece. O que resta, então? Optar por nós mesmos. Amadurecer. Aprender a gostar de estar em nossa própria companhia, parar por instantes (que podem ser dias ou meses) pra fazer uma faxina na alma. "- Que bonita teoria, mas onde entra a parte do aperto no peito e a dor que estou sentindo agora?", diriam muitos. Claro que sofrer faz parte do processo, não há melhor forma de aprendizado que a dor. O erro está em escondê-la. Temos que encará-la de frente e dizer com convicção: "- Eu sei que você está presente agora mas saiba que isso também vai passar". Intimidar a dor e acreditar na ameaça que fizemos a ela. Não há nada mais gostoso que descobrir a alegria de nossa convivência em momentos de solidão, que sempre acontecem. Mesmo em meio a um relacionamento deveríamos ter essas horas introspectivas pra descoberta dos próprios desertos interiores. Tirar o pó da janela da alma e perceber que as críticas que recebemos das pessoas com quem nos relacionamos até hoje podem, sim, ter fundamento. Colocarmo-nos na posição de nossos antigos amores e analisar o relacionamento sob o ponto de vista deles, não pelo lado que nos convém, que esse é sempre mais cômodo. Máscaras são mais fáceis de serem tiradas de rostos alheios, mas quando se trata das nossas fica difícil separá-las da pele. Diluir os defeitos que encontrarmos no processo e valorizar, claro, as virtudes. Optar por nós mesmos requer tudo isso e mais, a certeza de que o mundo está cheio de pessoas especiais à nossa espera, e não vai ser um tropeço momentâneo que nos tirará do foco: encontrar alguém pra se apaixonar que goste de nós "por causa de" e "apesar de". Do jeitinho que somos, pacote completo sem direito a escolher os opcionais, no melhor estilo “what you see, what you get”. Aquela que nos arranque suspiros não da boca, mas do coração. Sorte da pessoa que nos encontrar depois disso, porque vai se deparar com alguém centrado no que precisa e do que tem a oferecer num relacionamento, ciente das derrapadas que teve antes e esperançoso de não cometê-las novamente. Alguém que aprendeu nos erros e com uma vontade louca de expor a vulnerabilidade à prova de alguém que a mereça. Uma pessoa sem pressa, tranqüila, que sabe esperar o momento certo de se entregar, de abrir as portas e tirar a plaqueta de "fechado pra almoço". Alguém que reformou a alma, mudou a decoração, tirou a mobília do lugar e gostou do que viu depois. Uma pessoa que sabe a importância de ficar sozinha vez ou outra ao invés de agarrar a primeira mão que lhe é oferecida. Uma pessoa que sempre opta por ela mesma e sabe que ninguém nesse mundo ou em qualquer outro vai lhe tirar o direito de tentar, à sua própria maneira, ser feliz.

05 dezembro 2006

O segredo esta na gramática...

By Demetria


Estive pensando sobre esta palavra bem pertinente ao universo feminino... CASAMENTO.
Nós, mulheres, morremos de vontade de casar. (eu francamente não entendo o porquê!!)Atravessamos nossa adolescência com medo de ficar solteironas, temos pavor de encalhar, passamos dias, noites e madrugadas da juventude pensando em homens, moços, meninos, rapazes, coroas, seres humanos do sexo masculino. Mas não da mesma forma que os meninos adolescentes passam seus dias (trancados nos banheiros com aquela revista masculina que tem artigos ma-ra-vi-lho-sos!). Passamos nossa mocidade pensando com quem nós iremos nos casar (ouça os acordes iniciais da Marcha Nupcial ao fundo...) Um dia, afinal, casamos. UFA! Arreeeeee...E depois... só reclamamos. Dos maridos, dos filhos, das empregadas, da casa e principalmente do tédio !!!Não é que é ruim ser casada, nada disso. Eu só queria entender é porque o casamento, a coisa que mais queremos durante a juventude, dá tanto tédio nas mulheres depois de uns poucos anos. Acho que para nosso cérebro, que passou anos e anos tentando conquistar um homem atrás do outro, mudar de idéia de repente, e ter que ficar com um só, deve ser esquisito. É como quando descemos de um barco que sacode por causas das ondas – mesmo em terra firme a cabeça ainda balança por um bom tempo.Os casamentos inutilizam os miolos responsáveis pela sedução? Será a monotonia da vida de casada que cria monstros carentes? Sei que vão me achar exagerada, mas acho que na verdade as mulheres casadas vivem num tipo de mangue. Quando somos mocinhas, nos ensinam a ser sempre lindas para seduzir e encantar. Depois de casadas, temos que continuar lindas, mas não podemos seduzir ou encantar ninguém, em hipótese alguma, pois afinal de contas, você é uma mulher casada, oras!Coisinha mais doida !!!Olha, na minha estrambólica opinião, talvez os casamentos devessem durar, no máximo, cinco anos. E pela lei, depois desse tempo você seria obrigada a se separar do seu marido. Aparte: esta lei seria muito conveniente também por promover o “turn-over”, e fazer com que nenhuma mulher tivesse o mal gosto de segurar o mesmo homem por anos a fio, permitindo que outras usufruíssem do lagartão.
Voltando...Se fosse assim, tenho certeza que muitas mulheres implorariam ao juiz, de joelhos para continuarem casadas. Pois tudo que é proibido tem um gosto melhor.- Pelamordedeus....Me deixa ficar com ele, senhor juiz, eu amo esse homem!Acredito que o mistério deste paradoxo esta no fato de que não existem muitos romances nas nossas vidas. Precisamos dessas proibições para amar. Um verdadeiro romance é carregado, denso, arrastado, sofrido e melhor ainda, proibido. Durante nossas existências cabem muitas crônicas, muitas poesias, alguns contos e, se as condições climáticas forem favoráveis, uns poucos romances.E o mais incrível ainda é que eu noto que, muitas vezes, não são desses romances que saem os casamentos. É como se, inconscientemente, quiséssemos deixá-los intocáveis, puros, para que pudéssemos vivê-los em sonhos, em fantasias. É como se nossa natureza precisasse dos amores não solidificados, para poder usufruir da beleza da solidão. Dos nossos romances ficam histórias que contamos em segredo para as amigas no final da noite, fica a melancolia dos dias tristes, fica a lágrima de não ser reconhecida, fica a saudade depois de beber um pouco a mais. Em algum lugar lá no fundo sabemos que a união vulgariza a mágica de uma verdadeira paixão. O futuro do presente, quando vivido intensamente, enterra os sonhos e concreta a magia. O bonito, o belo, o inexorável está nas coisas que não acabam nunca. Afinal o próprio poetinha já dizia “que seja infinito…”No final das contas, precisamos do tempo verbal do impossível. Então a mágica de um romance é o futuro do pretérito!Eu gostaria...Eu desejaria...Eu me entregaria para sempre...
Eu amaria...
Por que ???
Eu, hein? E quem sou eu para resolver esse enrosco mundial?

27 novembro 2006

Beba Coca-Cola !!!

By Demetria

Hoje resolvi falar sobre algo que realmente me incomoda muito. Homens desse meu Brasil, prestem atenção!!! Aqui vai uma dica infalível a vocês. E o melhor, de graça!!!Sinceramente...Um aparte: acho que a Demi, um dia desses, vai acabar montando um consultório sentimental masculino na net, que acham? Tem muito homem que paga anos de análise para perceber coisas que podem ser resolvidas em minutos por aqui. Demi tem sensibilidade com os homens, entende os desejos femininos, não mente muito e confessa coisas inconfessáveis sobre o (aspas) universo feminino (aspas). Well, voltando ao assunto... Uma das coisas mais irritantes do mundo, rapazes, é a água mineral sem gás.Aquela inequívoca aparência neutra e imparcial da garrafinha de água, na ocasião errada, é capaz de fulminar, em segundos, casamentos, namoros ou casos. Quer coisa mais irritante que homem que pede "água mineral sem gás"?Água mineral sem gás tem em qualquer canto do mundo. É a coisa mais carne de vaca do universo. Qualquer boteco vagabundo tem uma torneira, um filtro ou um copinho de água Poá. Se você não pode beber, ao menos complique. Peça um daqueles “trequinhos” de suco de tomate que vem até com pimenta, ou uma coca cola sofisticada: light lemon com gelo e limão no copo alto. Nunca, jamais em qualquer tempo, peça uma água sem gás na frente da mulher amada. Pelamorrrrrrrrr...A questão não é a água em si, mas a situação. Imagine que você sai com seu marido, namorado, amante, lagartão, sei lá. Sentam-se os dois num restaurante, você toda arrumada, ma-ra-vi-lho-sa!!!.- Vão beber o quê? – pergunta o garçom.- Querida, escolheu?- Hummm... Um cálice de vinho – você decide, pronta para se embriagar com ele.- E o senhor?Ele hesita. Pensa em beber, mas lembra-se da maratona que vai correr no sábado. O personal aconselhou a evitar o álcool.- Uma água. Sem gás, por favor.Você Brochou? Porque eu certamente brochei. Para mim, acabou a noite!Dá licença, ô lagartão!Um homem que pede, na tua frente, uma água mineral sem gás é o fim. Isso acaba com qualquer mulher. É como se você fosse a mulher mais comum e ordinária desse mundo. Pior que isso só se a água for sem gás e... sem gelo.Aí, danou-se.Água “sem gás” e “sem gelo” é dez vezes pior.Quer dizer que nem às bolinhas de gás você tem direito, que nem o barulhinho dos cubos te homenageiam. Um homem que faz isso deveria ser impedido de ter qualquer mulher.- Garçon, para o meu lagartão traga uma água sem gás, sem gelo, sem gim e sem graça ne-nhu-ma. E para mim um copo de vinho com veneno, por favor. Prefiro a morte a brindar com ele.Olha, a bebida que o seu homem pede deve ser compartilhada com você. Teu homem deve beber em tua homenagem. É como se ele brindasse tua existência, tua presença. Isso é tão importante, tão essencial. É quase inexplicável. Que mulher que não quer ser cortejada, embriagada, entorpecida, narcotizada, embebedada por amor? O fato de a bebida relaxar os ânimos e os músculos é apenas um disfarce para a real embriaguez de estar com alguém que a gente ama. É a cena. A fantasia. O sonho. O filme. A cafonice necessária. A pieguice inevitável.Ô coisa boa beber um pouco apenas para dar a desculpa da bebida. Isso é essencial, estimulante e básico. Pedir uma água sem gás ao lado da mulher amada é a prova maior de desprezo do mundo. É a gota d´água.Saibam garotas: esse não é um homem, é um monstro; isso não é encontro, é pesadelo; e esse não é um namoro, um casamento ou um caso. Era, rapazes. Eeera... Fui clara?

24 novembro 2006

MORTE BIZARRA

É um caso muito louco de morte sincronizada. E a conclusão é muito interessante. Tem cada coisa nesse mundo, né?
No jantar de premiação anual de ciências forenses, em 1994, o Presidente Dr. Don Harper Mills impressionou o público com as complicações legais de uma morte bizarra. Aqui está a história:
Em 23 de março de 1994, o médico legista examinou o corpo de Ronald Opus e concluiu que a causa da morte fora um tiro de espingarada na cabeça. O Sr. Opus pulara do alto de um prédio de 10 andares, pretendendo se suicidar. Ele deixou uma nota de suicídio confirmando sua intenção. Mas quando estava caindo, passando pelo nono andar, Opus foi atingido por um tiro de espingarada na cabeça, que o matou instantaneamente. O que Opus não sabia era que uma rede de segurança havia sido instalada um pouco abaixo, na altura do oitavo andar, a fim de proteger alguns trabalhadores, portanto Ronald Opus não teria sido capaz de consumar seu suicídio como pretendia.
"Normalmente," continuou o Dr. Mills, "quando uma pessoa inicia um ato de suicídio e consegue se matar, sua morte é considerada suicídio, mesmo que o mecanismo final da morte não tenha sido o desejado". Mas o fato de Opus ter sido morto em plena queda, no meio de um suicídio que não teria dado certo por causa da rede de segurança, tranformou o caso em homicídio.
O quarto do nono andar, de onde partiu o tiro assassino, era ocupado por um casal de velhos. Eles estavam discutindo em altos gritos, e o marido ameaçava a esposa com uma espingarda. O homem estava tão furioso que, ao apertar o gatilho, o tiro errou completamente sua esposa, atravessando a janela e atingindo o corpo que caía. Quando alguém tenta matar a vítima A mas acidentalmente mata a vítima B, esse alguém é culpado pelo homicídio de B.
Quando acusado de assassinato, tanto o marido quanto a esposa foram enfáticos, ao afirmar que a espingarda deveria estar descarregada. O velho disse que ele tinha o hábito de costumeiramente ameaçar sua esposa com a espingarada descarregada durante suas discussões. Ele jamais tivera a intenção de matá-la. Portanto, o assassinato do sr. Opus parecia ter sido um acidente; quer dizer, ambos achavam que a arma estava descarregada, portanto a culpa seria de quem carregara a arma. A investigação descobriu uma testemunha que vira o filho do casal carregar a espingarda um mês antes. Foi descoberto que a senhora havia cortado a mesada do filho e ele, sabendo das brigas constantes de seus pais, carregara a espingarda na esperança que seu pai matasse sua mãe. O caso passa a ser portanto do assassinato do sr. Opus pelo filho do casal.
Agora vem a reviravolta surpreendente. As investigações descobriram que o filho do casal era, na verdade, Ronald Opus. Ele encontrava-se frustrado por não ter até então conseguido matar sua mãe. Por isso, em 23 de março, ele se atirou do décimo andar do prédio onde morava, vindo a ser morto por um tiro de espingarada quando passava pela janela do nono andar. Ronald Opus havia efetivamente assassinado a si mesmo, por isso a polícia encerrou o caso como suicídio.
Coincidência ou Sincronicidade ???

A Saga das Lingeries – “the sequel”...

By Demetria

Vou continuar no tema armários, roupas, etc, abordado no último texto que publiquei. Porém vou deslocá-lo para o âmbito da arrumação, organização, arquitetura e a vida.
É que eu noto que essa mania de arrumação, se não é das mulheres, incomoda muito mais a elas que aos homens. Não que isso seja uma regra, aliás, já conheci homens com manias absurdas de limpeza e arrumação. Um dia comentei esse fato com uma amiga, que me contou que o ex-marido, maníaco por arrumação, dobrava cuidadosamente toda roupa suja para colocar no cesto. Depois dessa revelação, nunca perguntei o motivo da separação.
É óbvio, né?
Cresci numa casa organizadinha, minha mãe sempre nos ensinou a colocar as coisas em ordem, e, se eu fui, durante um tempo, meio bagunceira, era apenas um “tipo” que eu fazia: numa certa época era o máximo você ser hippie, rasgada e ter um quarto muito zoneado.
Mas o que conta é a formação. Se eu estou em qualquer lugar e vejo um papel no chão, levanto e pego. É disso que eu falo. Existe dentro de nós, mulheres,um lado organizado muito forte. Está na nossa alma, eu acho. Por mais que tentemos não nos incomodar com a bagunça, nos incomodamos. Não sei bem, mas tenho a impressão que uma bagunça muito grande em casa está ligada a uma bagunça muito grande na vida.
Assim, impossível não associar uma coisa à outra. Quando a minha vida está muito zoneada, fico aflita e passo a arrumar gavetas, armários e estantes, começo a colocar os lápis de cor na ordem do arco íris, nivelo as lombadas dos livros das estantes. Não é coisa de gente maníaca não - é apenas uma atitude de uma mulher confusa. É como se, ao não conseguir atingir a organização na minha vida real, emocional e sentimental, eu precisasse compensar de alguma forma. Minha atividade predileta nesses momentos da vida é arrumar gaveta: você tira do armário, arruma fora dali, recoloca e fecha.
Plim-Plim...Tudo esta em ordem!
Talvez isso explique a quantidade de armários, gavetas e estantes que existem nas casas de hoje. Há cinqüenta anos, havia o armário do quarto, o aparador da sala e os armários na cozinha e ACABOU! Você que se virasse em arrumar e resolver seus “problemas” fora de lugar...
Hoje temos uma infinidade de roupeiros, estantes, louçarias, despensas e armários embutidos em todos os cantinhos. Existem empresas que você contrata só para isso – eles transformam toda sua casa num grande armário, você coloca tudo no lugar e esconde toda a sua insegurança. Uma casa cheia de armários é uma terapia para uma mulher moderna. Noto que a reclamação mais comum vinda de uma voz feminina sobre determinada decoração é : falta armário!
Falta armário? Pode ser. Mas talvez também falte carinho, amor, idéias, metas, sonhos, fantasias e mais um monte de coisas. Mas fazer armários e gavetas, sabemos, é a parte mais fácil de resolver.
Mesmo sabendo disso tudo, ainda adoro arrumar gavetas. A satisfação que sinto depois de arrumar é inacreditável. Eu chego a voltar, abrir de novo e olhar minha arrumação. As vezes me vejo no trânsito e me lembro da minha gaveta de lingeries. Sorrio. O trânsito está parado, eu estou cheia de problemas, triste, sem grana, sem tempo e atrapalhada.
Mas a gaveta de lingeries... ah, a gaveta de lingeries está perfeita !!!

14 novembro 2006

As roupas que “desaparecem” do armário...

By Demi minha lindaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!
Outro dia passei na casa do meu irmão. Como todo homem separado, de final de semana ele fica com a filha dele, uma adolescente normal de 13 anos, como todas da idade. Quando cheguei lá, encontrei o meu irmão com uma expressão tensa e perguntei o que ele tinha...Ele me respondeu, já beirando o desespero:- Sei lá. Melhor você ir lá com a sua sobrinha. Ela está lá no quarto dela, parada, de toalha, olhando o guarda roupa, totalmente catatônica. Deve tá acontecendo alguma coisa.Eu entrei no quarto.- Oi, o que foi, menina, não vai à festa? Por que está parada ai?- O papai não entende, tia! Eu não tenho roupa!Começou...Existe uma enorme verdade por trás dessa frase, e quem é mulher já falou isso mais de um milhão de vezes.Em primeiro lugar, é preciso esclarecer: a famosa frase “eu não tenho roupa” não tem absolutamente nada a ver com a quantidade de roupa que você tem dentro do guarda roupa naquele exato momento.Nadinha.A frase quer dizer um monte de outras coisas, que também não nada a ver com as palavras que compõe a frase, ou seja, quando nós, mulheres, exclamamos desesperadas “eu não tenho roupa”, não queremos dizer nada com “ter” nem com “roupa”, acredite se quiser. A única palavra que vale é o “eu”, mas quando você, atrapalhada, exclama que não tem roupa, o teu “eu “ já está tão em pânico que acho que nem você sabe mais quem você é.É confuso?Muito. Tem gente que nem imagina o quanto.É uma frase mais comum que a gente imagina, que pode ser dita até mais de uma vez por dia, independente da hora. Outra coisa, quando alguém literalmente diz “eu não tenho cabelo”, ou “eu não tenho dinheiro”, ou “eu não tenho carro”, saiba que essa pessoa provavelmente é careca, dura e está a pé. Porém a exclamação “eu não tenho roupa” não quer dizer, de maneira alguma, que você vá ficar pelada.É uma sensação horrível, é quase como ser possuída por um espírito mau que te atormenta e que te impede de ir a festas, bares e encontros. Acho que deve existir uma entidade pelada qualquer (os santos que me perdoem!!!) que azucrina as mulheres antes dos eventos. Quem já passou por isso sabe como é desesperador não ter roupa bem na horinha de sair.A questão é que criamos uma relação muito esquisita com nossos guarda roupas. Aquelas portas que se abrem na nossa frente, muitas vezes, abrem os nossos medos e receios. E quando nos vemos diante deles, sentimo-nos incapazes de enfrentar o mundo. Além disso, armários ainda tem espelhos – e espelhos não mentem jamais, essa é a questão. Quando somos meninas e vamos numa festa, somos mulheres em cabides, esperando para ser escolhidas. Acho que é por causa disso que acumulamos muito mais roupas do que precisamos: para sobreviver. É uma estratégia da guerra contra o medo. E acumulamos roupas não para vestir, mas para poder escolher a melhor arma para lutar contra a solidão.
Vestir-se, na minha opinião, é um negócio meio triste.Isso é um assunto que vai além do entendimento racional. "Não tenho roupa" quer dizer que estamos inseguras, que não nos sentimos confortáveis dentro do nosso corpo, que estamos no limite das nossas vidas. Uma roupa para ir a uma festa ou a um encontro não se compra numa loja nem se resolve olhando o guarda roupa. A roupa ideal está dentro da nossa cabeça. É preciso sentir-se abrigada dos males, dos medos, das inseguranças. Vestir-se é colocar confiança no seu corpo.E não é sempre que isso está dentro de uma guarda roupa, certo ???
Portanto, papais, tios, namorados e principalmente maridos, entendam o que há por trás dessa frase tão profunda...
E mulheres, entendam que na dúvida, uma calça jeans, camiseta básica branca e um sapato bonito resolvem o problema... porque o essencial vocês têm dentro de vocês, não no armário !

09 novembro 2006


Um garotinho de 5 anos queria ganhar R$100,00 e rezou durante duas semanas para Deus. Como nada acontecia, ele resolveu mandar uma carta para o Todo-Poderoso com seu pedido. O correio recebeu uma carta endereçada para "Deus-BRASIL", resolveram manda-lá para o Presidente Lula. O Lula ficou muito comovido com o pedido e resolveu mandar uma nota de R$ 10,00 para o menino, pois achou que R$ 100,00 era muito dinheiro para uma criança tão pequena. O garotinho recebeu os R$10,00 e imediatamente sentou-se para escrever uma carta de agradecimento:
"Prezado Deus, muito obrigado por me mandar o dinheiro que eu pedi, contudo, notei que por alguma razão o Senhor mandou-o através de BRASÍLIA, e como sempre, aqueles filhos das putas ficaram com 90% do que era meu!"

07 novembro 2006

Corações Valentes...

Este é para os solteiros de corpo e alma...
By Demetria
Tenho muitos amigos, e, como dizia o Renato Russo, os celebro todo dia. São pessoas ótimas, porque já passei da fase de me obrigar a aturar gente ruim. Não são bandidos, é gente honesta, que sabe rir, sabe brincar, sabe ajudar, sabe chorar. Pessoas que estão na luta pra serem alguém melhor todos os dias. Muitos deles são bonitos, e nenhum deles é uma aberração de feio. Homens e mulheres, gente legal, gente difícil, com ou sem dinheiro, gente de 25, 35, 50, 65 anos, que trabalha nas mais diversas profissões. Gente como eu. E ultimamente, a maior parte deles me vem falar do mesmo assunto, incessantemente, sempre que me vê ou conversa comigo. "M...inha querida, a coisa que eu mais quero na vida é ter alguém pra amar e ser feliz. Mas não consigo"
As razões são as mais diversas possíveis. Sintam a variedade: Sou traumatizada(o). Não gosto de compromisso. Não consigo dividir. Só acho homem canalha. Não tenho tempo pra relações românticas, trabalho demais e é assim mesmo. Estou esperando a pessoa certa. Ninguém consegue balançar o meu coração. Ele(a) é egoísta. Ela é inconstante. Ele é galinha. Ela é fútil. Ele liga demais. Ela liga de menos. Já fui muito magoada. Não confio e nem acredito mais. Não suporto mais, mas já me acostumei com ele. Posso viver melhor sem. Não tenho paciência. Ninguém se enquadra nos meus critérios. Nenhum deles presta. São todas vagabundas. Tenho um, mas queria ter vários. Tenho várias, mas no fundo não tenho nenhuma. O mundo é cruel. As pessoas são más. E ninguém me ama, ou pelo menos parece que quer me amar. E assim seguimos, todos procurando. Mas ninguém acha ninguém.
Por trás de todos os discursos, engraçadinhos, sofridos ou articuladamente racionais , dá pra ouvir nitidamente a mesma lógica. Tenho um medo terrível de me envolver; porque, pra me envolver, preciso me expor. E se me expor, posso ser machucado demais. E fungindo da dor, vamos nos metendo em confusões cada vez piores, armadilhas cada vez mais sofisticadas. E deixando doer cada vez mais, afastando o que mais queremos ter. E quero ver quem prova que estou errada.
Essa coisa de felicidade no amor é um prêmio pros corajosos. Precisa muita coragem mesmo pra amar. Coragem pra dar sua cara a tapa, correndo sérios riscos de levar um safanão. Não é pra qualquer um mesmo.
Essa coisa de amor dá muito trabalho. Gasto de dinheiro, noites em claro. É muito difícil aturar as manias dos outros. Se colocar em xeque os preconceitos, as idéias pré-concebidas. Muitas vezes, tem que se fazer escolhas difíceis. Outras vezes, tem que se ser sensível o suficiente pra perceber as necessidades do outro e considerá-las, ainda que sejam contrárias as suas. Há que se abrir mão de muita coisa também - de paquerar todo mundo a qualquer hora, de programinhas antigos, de velhos passeios, de pessoas, de hábitos, de objetivos. E, o mais difícil - tem que se aprender a mudar! Mudar, sim. Porque todo mundo muda. E quando a outra pessoa muda, ou a gente muda junto ou deixa ela se afastar. E pra mudar, se mexe em feridas que muitas vezes doem. E lá vai mais esforço... E tudo isso por algumas horas de felicidade. Não parece muito rentável.
A verdade é que a gente paga um preço pra amar alguém. E paga também um preço pra ficar sozinho. E, pensando que o preço de amar é muito alto, acabamos esquecendo que ficar sozinho também não é nada fácil. Assim como a adrenalina da paixão é viciante, também é viciante a apatia da solidão. E assim, vamos ficando cada vez mais defendidos, mais cheios de manias, nos apegando a esse monte de coisas que conquistamos e que são boas, sim, mas não completam.
Amigos, eu que tantas vezes os escuto atenciosamente e calada, e tantas outras vezes falo sem saber o que estou dizendo... Pensei muito e acho que é hora de nos mexer, que sem esforço não vai rolar nada mesmo.
Primeiro, limpar a vida dos amores mal resolvidos, mágoas, medos infundados, sonhos impossíveis, pessoas que só querem acabar com o que temos de bom. Mandar toda essa gente pro seu devido lugar, bem longe, acomodados no nosso passado, ou longe da nossa vida, e deixar um espaço livre pra alguém legal chegar.
E depois... Parar com os discursos de que nossa integridade pessoal está acima de tudo. Está nada. E parar com esse papo de que nos bastamos sozinhos. Balela. Parar de ter vergonha de se expor, vergonha de acariciar, de falar, de tocar, de rir, de comer perto, de tirar a roupa, de se soltar na cama e fora dela. Parar de interpretar um papel e de ficar tentando adivinhar o que o outro espera de nós. Parar de ficar vendo pêlo em ovo, e simplificar as coisas. Dar um jeito de nos livrarmos dessas velhas manias bobas que estamos criando, de achar que tudo tem que ser perfeito, de ficar esperando alguém que preencha nossos requisitos, de ficar sonhando com o príncipe (ou princesa ) encantado, de ficar cheio de dedos pra falar de sentimentos e tentar, quantas vezes for necessário, até criar uma casca mais grossa. Precisamos crescer e aparecer. Parar de nos apegar a preconceitos estéticos, práticos e morais que são uma desculpa pra não amar de verdade. É isso, ou assumir logo que preferimos ficar sozinhos e pronto, deixando de choramingar na frente do espelho.
Pra isso, claro, vai-se precisar de muita coragem e valentia... Se você não tem ainda, dê um jeito de ter, nem que seja aos poucos!